
Estudo com 460 mil pessoas associa extremos da frequência cardíaca a maior risco de AVC
Pesquisa apresentada na Conferência da Organização Europeia de AVC de 2026, em Maastricht, sugere que frequências cardíacas em repouso muito baixas ou muito altas podem estar ligadas a maior risco de acidente vascular cerebral. O estudo é observacional e ainda não comprova relação de causa e efeito.
A frequência cardíaca em repouso muito baixa ou muito alta pode estar associada a um risco maior de acidente vascular cerebral, segundo estudo apresentado na quarta-feira, 6 de maio, durante a European Stroke Organisation Conference 2026, em Maastricht, na Holanda. A pesquisa analisou dados de aproximadamente 460 mil pessoas do UK Biobank acompanhadas por cerca de 14 anos e identificou um padrão em forma de “U”: o menor risco foi observado entre participantes com batimentos entre 60 e 69 por minuto.
O levantamento chama atenção porque contraria uma percepção comum de que batimentos mais baixos seriam sempre sinal de melhor condicionamento cardiovascular. Embora isso possa ser verdadeiro em atletas e pessoas fisicamente ativas, os pesquisadores afirmam que frequências muito abaixo ou muito acima da faixa intermediária podem funcionar como marcador de risco em parte da população.
Batimentos cardíacos e risco de AVC
De acordo com os dados divulgados, o risco de AVC foi 25% maior entre pessoas com frequência cardíaca em repouso abaixo de 50 batimentos por minuto e 45% maior entre aquelas com 90 batimentos por minuto ou mais, em comparação com o grupo entre 60 e 69 bpm. A análise levou em conta fatores como idade, sexo e condições cardiovasculares, incluindo fibrilação atrial.
A frequência cardíaca em repouso é o número de vezes que o coração bate por minuto quando a pessoa está em descanso. Segundo a American Heart Association, para a maioria dos adultos, valores entre 60 e 100 batimentos por minuto são considerados normais, embora fatores como atividade física, estresse, ansiedade, medicamentos e condições hormonais possam alterar esse número.
Estudo analisou dados do UK Biobank
A pesquisa usou informações do UK Biobank, uma grande base de dados de saúde de adultos do Reino Unido. Durante o período de acompanhamento, foram registrados 12.290 casos de AVC entre os participantes. O estudo foi apresentado como comunicação oral por pesquisadores ligados ao tema “frequência cardíaca reduzida e elevada como preditoras de risco de AVC, independentemente da fibrilação atrial”.
A repercussão feita pelo site Live Science destaca que o padrão em “U” foi observado inclusive entre pessoas sem histórico de fibrilação atrial, uma arritmia conhecida por aumentar o risco de AVC. Isso sugere que a frequência cardíaca em repouso pode ser um indicador adicional a ser observado, mas não substitui avaliação médica nem exames clínicos.
Resultado ainda não prova causa e efeito
Apesar da relevância dos números, especialistas ressaltam que o estudo é observacional. Isso significa que ele identifica associação estatística, mas não demonstra que batimentos muito baixos ou altos causem diretamente o AVC. A própria reportagem do Live Science informa que os achados ainda não foram publicados em revista científica revisada por pares.
Esse ponto é importante para evitar alarmismo. Uma frequência cardíaca baixa pode ser normal em atletas, pessoas bem condicionadas ou durante o sono. Por outro lado, alterações persistentes, especialmente quando acompanhadas de sintomas, histórico familiar ou outros fatores de risco, devem ser avaliadas por profissional de saúde.
Prevenção depende de acompanhamento e controle de riscos
O AVC segue entre os principais problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde informa que, em 2021, o AVC foi a terceira principal causa global de morte e incapacidade combinadas, com 11,9 milhões de novos casos naquele ano.
Além da frequência cardíaca, fatores tradicionais continuam centrais na prevenção. O CDC aponta pressão alta, colesterol elevado, doenças cardíacas, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo como condições e comportamentos associados ao maior risco de AVC.
Nesse contexto, o estudo reforça a importância de monitoramento simples, prevenção e acesso eficiente à atenção básica. Medir batimentos, pressão arterial e outros indicadores pode ajudar a identificar riscos de forma precoce, reduzindo complicações e custos para famílias e sistemas de saúde.
Os pesquisadores indicam que novos estudos serão necessários para esclarecer se a frequência cardíaca extrema é apenas um marcador de risco ou se participa diretamente dos mecanismos que levam ao AVC. Até lá, a recomendação prática é não interpretar números isolados, mas considerar o conjunto da saúde cardiovascular.
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