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Farofa com ora-pro-nóbis leva cantineira de BH a destaque nacional em concurso escolar

Receita mineira criada em escola municipal de BH é premiada em concurso do FNDE

A farofa de ora-pro-nóbis criada por Marina de Fátima da Cunha Reis, da Escola Municipal Sebastiana Novais, conquistou destaque no Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar. O prato valoriza a culinária mineira, a horta escolar e a educação alimentar dos estudantes.

A “Farofa de ora-pro-nóbis”, receita criada pela cantineira Marina de Fátima da Cunha Reis, colocou a Escola Municipal Sebastiana Novais, em Belo Horizonte, entre os destaques nacionais da 3ª edição do Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O prato, feito com um ingrediente tradicional da culinária mineira, conquistou os alunos e ganhou reconhecimento por unir sabor, nutrição, cultura regional e educação alimentar.

A escola, localizada no bairro Tupi, ficou em segundo lugar em Minas Gerais por votação popular, segundo veículos locais. A competição nacional premiará 55 receitas, sendo duas por unidade da Federação e uma da rede federal, com R$ 5 mil para a merendeira vencedora e R$ 8 mil para a escola investir na melhoria da cozinha ou na compra de equipamentos.

Farofa de ora-pro-nóbis valoriza a culinária mineira

O principal ingrediente da receita é a ora-pro-nóbis, planta bastante associada à cozinha mineira e conhecida por seu valor nutricional. Na Escola Municipal Sebastiana Novais, a planta é cultivada na própria horta escolar, em uma experiência que envolve estudantes, funcionários e ações de alimentação saudável.

Segundo as informações divulgadas, a muda da planta foi levada à escola por uma aluna e passou a ser cultivada com apoio dos funcionários. Aos poucos, o ingrediente foi introduzido na alimentação das crianças, até ganhar uma versão em farofa com farinha de mandioca.

A proposta mostra como a alimentação escolar pode ir além do cardápio diário. Quando a comida servida na escola dialoga com a cultura local, com a horta e com a participação dos alunos, ela também vira ferramenta de aprendizado.

Receita caiu no gosto dos estudantes

Marina de Fátima da Cunha Reis, que atua há anos na rede municipal, contou que a farofa virou uma das favoritas das crianças. Segundo ela, os alunos já reconhecem a ora-pro-nóbis e demonstram entusiasmo quando sabem que o prato será servido.

A cantineira relatou que as crianças chegam a querer levar mudas para casa e que os menores comemoram quando a farofa entra no cardápio. A aceitação dos estudantes é um dos pontos mais importantes da história, porque mostra que comida saudável não precisa ser distante da realidade das crianças nem apresentada de forma pouco atrativa.

No caso da escola de BH, o sucesso veio justamente da combinação entre um ingrediente regional, preparo simples e vínculo afetivo com a comunidade escolar.

Concurso do FNDE reconhece merendeiras

O Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar foi criado para valorizar o trabalho de merendeiras e merendeiros do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Segundo o FNDE, a iniciativa busca reconhecer preparações saudáveis, sustentáveis e conectadas aos hábitos alimentares locais.

Nesta edição, Minas Gerais teve 408 receitas inscritas, sendo 11 delas produzidas em escolas municipais e unidades parceiras de Belo Horizonte, conforme divulgado inicialmente pela Prefeitura de Belo Horizonte e repercutido pela imprensa.

O concurso também prevê que as receitas vencedoras sejam reunidas em uma publicação digital, ampliando a circulação de boas práticas entre escolas públicas de todo o país. Essa troca de experiências pode ajudar outras redes de ensino a adotarem preparos regionais, nutritivos e de baixo custo.

Alimentação escolar também é educação

A conquista da escola de Belo Horizonte reforça uma ideia importante: merenda escolar não é apenas refeição. Ela faz parte da formação dos estudantes, influencia hábitos alimentares, aproxima crianças de alimentos naturais e fortalece a identidade cultural.

Em um país onde muitas famílias enfrentam dificuldades para manter uma alimentação equilibrada, a escola tem papel estratégico. Cardápios bem planejados, hortas pedagógicas e merendeiras valorizadas contribuem para melhorar a relação das crianças com os alimentos.

A gerente de Alimentação Escolar da Prefeitura de Belo Horizonte, Ana Carolina Barcellos, afirmou que ver uma preparação criada dentro da escola ganhar reconhecimento nacional demonstra que a alimentação escolar também é espaço de aprendizado, afeto e valorização da identidade alimentar.

Reconhecimento fortalece a rede municipal

Além do prêmio financeiro, o reconhecimento nacional dá visibilidade ao trabalho das profissionais que atuam diariamente nas cozinhas escolares. São elas que transformam ingredientes simples em refeições capazes de alimentar, acolher e educar.

A história da farofa de ora-pro-nóbis mostra que inovação na alimentação pública nem sempre depende de soluções caras. Muitas vezes, ela nasce da escuta da comunidade, da valorização de ingredientes regionais e da criatividade de quem conhece de perto o gosto dos alunos.

Com a premiação, a Escola Municipal Sebastiana Novais passa a representar um exemplo de como a alimentação escolar pode unir saúde, cultura mineira, sustentabilidade e participação dos estudantes.

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