Publicidade

El Niño ameaça agricultura mundial com risco de seca extrema, alerta FAO

Novo El Niño coloca produção de alimentos em alerta e pode afetar safras no Brasil

A FAO alertou que o El Niño pode elevar o risco de seca agrícola em regiões vulneráveis do mundo. No Brasil, Inmet e NOAA indicam efeitos opostos: maior risco de estiagem no Norte e Nordeste e excesso de chuva no Sul.

El Niño volta ao radar do agro mundial

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, emitiu um alerta sobre os riscos do El Niño para a agricultura mundial. Segundo a entidade, uma nova fase do fenômeno climático coloca o setor produtivo em atenção, especialmente em regiões onde a seca pode afetar lavouras, pastagens, segurança alimentar e renda de produtores rurais.

O alerta ocorre em um momento de preocupação global com abastecimento, preços de alimentos e eventos climáticos extremos. O El Niño altera padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta, podendo provocar seca em algumas regiões e excesso de chuva em outras.

A NOAA, agência de clima dos Estados Unidos, informou em 11 de junho que as condições de El Niño já estão presentes e devem se fortalecer até o inverno do Hemisfério Norte de 2026/2027. O órgão também apontou 63% de chance de um El Niño muito forte entre novembro e janeiro, o que poderia colocar o evento entre os maiores da série histórica iniciada em 1950.

FAO aponta áreas com maior risco de seca

O mapeamento da FAO identifica regiões agrícolas mais expostas à seca associada ao El Niño. A entidade cita probabilidade superior a 50% de seca agrícola em grandes áreas da África Austral, incluindo partes de Namíbia, Botsuana, Angola, Zâmbia, Zimbábue, África do Sul, Moçambique e Madagascar.

Na América Central e no Caribe, o risco também preocupa. A FAO alerta que a seca pode rapidamente se transformar em insegurança alimentar, especialmente no chamado Corredor Seco da América Central, além de áreas da Colômbia, Venezuela, Cuba, República Dominicana e Haiti.

Na Ásia, o risco chega a mercados agrícolas estratégicos. A FAO destaca que o El Niño pode enfraquecer as monções em partes da Índia, pressionando lavouras de sequeiro como arroz e milho durante fases importantes do ciclo produtivo.

Brasil pode ter seca no Norte e chuva excessiva no Sul

No Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia explica que o El Niño costuma provocar efeitos opostos entre as regiões. Normalmente, o fenômeno aumenta o risco de seca na faixa norte das regiões Norte e Nordeste, enquanto favorece grandes volumes de chuva no Sul do país.

Uma nota técnica conjunta de Inpe, Inmet, Funceme e Censipam também aponta que, em eventos fortes de El Niño, o padrão observado é de redução de chuvas principalmente nas regiões Norte e Nordeste e aumento de precipitação na Região Sul.

Para o agro brasileiro, isso exige planejamento. No Norte e Nordeste, a preocupação recai sobre lavouras de sequeiro, disponibilidade hídrica, pastagens e abastecimento. No Sul, o excesso de chuva pode atrapalhar o manejo, elevar risco de doenças nas plantas, dificultar o uso de máquinas e afetar plantio, tratos culturais e colheita.

Soja, milho, café, frutas e açúcar entram no radar

O impacto do El Niño sobre as commodities não é uniforme. Em alguns casos, a melhora das chuvas em regiões produtoras pode até favorecer determinadas culturas. Em outros, seca, calor e irregularidade climática podem reduzir produtividade e elevar custos.

Relatório do Itaú BBA, repercutido pela CNN Brasil, aponta que uma perda de 6% na produção brasileira de soja em 2026/2027 já seria suficiente para reduzir estoques mundiais ao menor nível em três anos e reacender pressão sobre commodities agrícolas. O mesmo levantamento observa que o El Niño nem sempre provoca disparada de preços, porque pode haver compensação geográfica entre perdas e ganhos produtivos.

Além da soja, culturas como milho, café, açúcar, frutas e pastagens podem sentir os efeitos de forma diferente, dependendo da região, da época de plantio, da irrigação disponível e da intensidade do fenômeno.

Preços dos alimentos podem sentir impacto

O El Niño também preocupa pela possível pressão sobre a inflação. Pesquisa do Banco Central citada pela Reuters mostrou que economistas no Brasil estimam que o fenômeno pode adicionar 0,30 ponto percentual à inflação de 2026 e 0,40 ponto percentual à de 2027. A reportagem também aponta que alimentos tendem a sentir os efeitos mais rapidamente, especialmente em regiões sujeitas à seca.

Esse ponto é sensível para famílias e produtores. Para o consumidor, clima adverso pode significar alimentos mais caros. Para o produtor, representa aumento de risco, maior necessidade de seguro rural, planejamento financeiro, manejo de solo e uso mais eficiente da água.

Alerta exige prevenção, não pânico

O alerta da FAO não significa perda automática de safra, mas indica que governos, produtores e cadeias de abastecimento precisam se preparar. Monitoramento climático, escolha correta de cultivares, escalonamento de plantio, manejo de solo, reserva de água, seguro rural e logística eficiente podem reduzir prejuízos.

Para o Brasil, potência global do agronegócio, o desafio será transformar previsão em ação. Em vez de reagir apenas depois da quebra de safra, o setor produtivo precisa antecipar riscos, proteger margens e reforçar a segurança alimentar.

Gostouu ? Compartilhe

Institucional

Contatos

Feito por  GreenFlow 👽