
O “faz o L”, que foi gesto da campanha que tomou as ruas em 2022, sumiu das mãos da geração Z. E a mudança vai muito além de um aceno com as mãos. A nova rodada de pesquisas da AtlasIntel divulgada em março mostra que 73% dos eleitores de 16 a 24 anos desaprovam o governo Lula, ante a média geral de rejeição de 53%.
Quanto aos jovens, a revista mostra, com base no histórico político, que isso deve ser fatal em outubro. A dimensão da virada fica clara quando se comparam dois momentos. Em março de 2022, o Datafolha registrava 62% dos eleitores jovens declarando voto em Lula num eventual segundo turno contra Jair Bolsonaro. Em março de 2026, o mesmo instituto apurou cerca de 40% num hipotético confronto com Flávio Bolsonaro.
A queda de cerca de 20 pontos percentuais em quatro anos aconteceu apesar dos esforços do governo, que turbinou o lançamento do Programa Pé-de-Meia, o relançamento do Projovem, a criação do Observatório Nacional das Juventudes e o anúncio da ampliação de cursinhos populares. Nenhuma das iniciativas parece ter cativado o público-alvo.
Um dos pontos para explicar tamanha crise pode estar na falta de perspectiva no mercado de trabalho, que possivelmente alimenta essa desilusão. O desemprego entre brasileiros de 18 a 24 anos fechou 2025 em 11,4%, mais que o dobro da taxa nacional de 5,1%. Sem espaço nas formas convencionais de trabalho, mais de 180.000 jovens dessa faixa etária já atuam como entregadores ou motoristas de aplicativos, segundo o IBGE.
A rejeição também tem raiz ideológica. Pesquisa da AtlasIntel de novembro passado mostrou que a geração Z é mais alinhada à direita e à centro-direita do que a média da população. Os dados do Censo 2022 do IBGE apontam ainda que o crescimento evangélico entre jovens de 10 a 29 anos supera a média geral, justamente o perfil de eleitorado que Lula tem mais dificuldade de alcançar.