
Relíquia histórica de Pelé na Copa de 1958 vai a leilão em Nova York
A camisa 10 azul usada por Pelé na final da Copa do Mundo de 1958 será leiloada pela Sotheby’s entre 29 de junho e 16 de julho. A peça pode ultrapassar US$ 6 milhões e se tornar uma das camisas mais valiosas da história do esporte.
A camisa usada por Pelé na final da Copa do Mundo de 1958, quando o Brasil conquistou seu primeiro título mundial, será leiloada pela Sotheby’s, em Nova York. A peça, uma camisa 10 azul usada pelo Rei do Futebol aos 17 anos na vitória por 5 a 2 sobre a Suécia, deve receber lances entre 29 de junho e 16 de julho e pode ultrapassar US$ 6 milhões, cerca de R$ 30 milhões.
O uniforme é considerado uma das relíquias mais importantes da história do futebol brasileiro. Na final disputada no Estádio Rasunda, em Estocolmo, Pelé marcou dois gols e se tornou o jogador mais jovem a balançar as redes em uma decisão de Copa do Mundo.
Camisa usada por Pelé na final de 1958 vai a leilão
A venda faz parte do leilão “The Beautiful Game”, organizado pela Sotheby’s para reunir itens históricos do futebol mundial. A casa de leilões informa que a peça é uma camisa Idrott, tamanho 5, de algodão, datada de aproximadamente 1958. A página oficial da Sotheby’s registra a procedência da peça, que teria sido presenteada por Pelé ao companheiro de seleção Edvaldo Alves de Santa Rosa, o Dida.
A camisa azul tem valor simbólico especial porque foi usada no jogo que abriu a era de ouro do futebol brasileiro. Naquele 29 de junho de 1958, o Brasil venceu a Suécia e iniciou uma trajetória que transformaria Pelé em uma figura global do esporte.
Peça histórica pertenceu à família de Dida
Após a final, Pelé deu a camisa a Dida, colega de seleção e também atacante. Segundo a Associated Press, a peça permaneceu por décadas com a família de Dida, passou por um museu brasileiro e foi adquirida pelo atual proprietário, não identificado, em 2004.
No Brasil, a história da camisa também está ligada ao Museu dos Esportes de Maceió. De acordo com o ge, a peça foi vendida em 2004 por cerca de US$ 105 mil para ajudar a evitar a falência do museu. O veículo informou ainda que o museu alagoano não receberá valores com a nova venda.
A Sotheby’s registra em sua página oficial que a camisa foi doada pela família de Dida ao Museu dos Esportes e depois leiloada pela Christie’s em setembro de 2004, antes de passar ao colecionador privado que agora a coloca novamente no mercado.
Valor pode colocar item entre os mais caros do esporte
A estimativa superior a US$ 6 milhões coloca a camisa de Pelé entre os itens esportivos mais valiosos já negociados. A Folha de S.Paulo lembra que a camisa usada por Diego Maradona no jogo da “Mão de Deus”, na Copa de 1986, foi vendida por US$ 9,3 milhões em 2022. O mesmo texto cita uma camisa de Michael Jordan vendida por US$ 10,1 milhões.
A valorização mostra como o mercado de memorabilia esportiva se tornou um segmento internacional de alto valor. Itens usados em jogos históricos, especialmente quando ligados a atletas de dimensão global, passaram a ser tratados como patrimônio cultural, financeiro e afetivo.
No caso de Pelé, o valor vai além do colecionismo. A camisa representa o início da consagração mundial do maior nome da história do futebol brasileiro e de uma seleção que se tornaria referência técnica, cultural e esportiva.
Leilão ocorre durante clima de Copa do Mundo
A exposição pública da camisa está prevista para começar em 1º de julho no Breuer Building, em Manhattan, segundo a Associated Press. A venda ocorrerá no período da Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, o que aumenta a visibilidade internacional do item.
A escolha do calendário não é casual. Em ano de Copa, objetos ligados à história do futebol ganham maior atenção de colecionadores, investidores, torcedores e instituições esportivas. A camisa de 1958, nesse contexto, reúne raridade, autenticidade, narrativa histórica e ligação direta com um dos momentos mais importantes da Seleção Brasileira.
Relíquia reforça o peso da memória esportiva brasileira
A possível venda por mais de R$ 30 milhões reforça o valor da memória esportiva nacional. Para o Brasil, a camisa não é apenas um uniforme antigo. Ela simboliza a primeira estrela da Seleção, o surgimento internacional de Pelé e uma fase em que o futebol brasileiro passou a ser reconhecido como potência mundial.
O leilão também reacende o debate sobre preservação de acervos históricos no país. Peças como essa, quando deixam museus e passam a circular em coleções privadas, ganham valorização financeira, mas podem se afastar do acesso público.
Ainda assim, a nova venda confirma a força global do legado de Pelé. Quase sete décadas depois da final de 1958, a camisa azul usada pelo Rei continua despertando interesse, emoção e disputas milionárias no mercado internacional.