
“Pequena Amanda” completa aniversário presa enquanto aguarda exame de sanidade mental
Amanda Maria Souza de Oliveira, acusada de se passar por criança para enganar uma família em Joinville, completou 38 anos no Presídio Feminino Regional. O processo está suspenso até a realização de exame de sanidade mental.
Amanda Maria Souza de Oliveira, conhecida como “pequena Amanda”, completou 38 anos na prisão em Joinville, Santa Catarina, após ser presa acusada de se passar por uma criança de 12 anos para enganar uma família que a acolheu informalmente. Nascida em 10 de junho de 1988, ela está detida desde 2 de junho no Presídio Feminino Regional de Joinville.
A mulher responde na Justiça pelos crimes de estelionato e falsa identidade. Segundo a Folha de S.Paulo, a denúncia apresentada pelo Ministério Público foi acolhida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina na terça-feira (9), mas o processo permanece suspenso até a realização de exames de sanidade mental, marcados para 26 de junho.
Mulher que fingia ser criança fez aniversário na prisão
O caso ganhou repercussão nacional pela forma como Amanda teria sustentado a identidade falsa durante mais de um ano. Segundo as investigações, ela viveu com uma família em Joinville usando o nome “Gabriele” e afirmando ter 12 anos. Durante esse período, chegou a receber uma festa de aniversário infantil, além de morar em um quarto com brinquedos e móveis voltados para criança.
Agora, o aniversário de 38 anos ocorreu em um contexto completamente diferente: sob custódia, enquanto a defesa aguarda a perícia médica que poderá influenciar os próximos passos do processo. O advogado Rafael Luiz Siewert informou que recebeu a denúncia com serenidade e que aguardará o resultado da avaliação de sanidade mental antes de definir as medidas judiciais cabíveis.
Investigação começou após desconfiança de tia adotiva
A investigação teve início depois que uma tia adotiva passou a desconfiar do comportamento de Amanda e encontrou reportagens sobre um caso semelhante ocorrido em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, em 2023. De acordo com a Polícia Civil, a familiar percebeu semelhanças físicas e também nas histórias contadas pela mulher.
Após a suspeita, a tia procurou o pai adotivo, que registrou a ocorrência em 29 de maio. Com os primeiros levantamentos, ele foi chamado novamente à delegacia na semana seguinte. Foi nesse momento que Amanda acabou presa, segundo a apuração divulgada pela imprensa.
Polícia apura estelionato e falsa identidade
De acordo com o Metrópoles, Amanda teria adotado comportamentos infantis para reforçar a versão apresentada à família, incluindo o uso de objetos associados a crianças e a recusa em ser matriculada em uma escola. A Polícia Civil informou que ela responderá por estelionato e falsa identidade.
O Guardian informou que o Ministério Público descreve o caso como um esquema elaborado, com criação de identidade fictícia e manipulação emocional das vítimas para obter vantagens indevidas. A reportagem também aponta que Amanda teria sido citada em apurações semelhantes em outros estados.
Até o momento, porém, a acusada deve ser tratada como investigada/ré no processo em andamento, com direito à defesa e à presunção de inocência até decisão judicial definitiva.
Defesa aguarda perícia médica
O exame de sanidade mental será uma etapa importante do caso. Esse tipo de avaliação pode ajudar a Justiça a verificar se a acusada tinha plena capacidade de compreender os próprios atos e responder criminalmente por eles.
Enquanto o resultado não é concluído, o processo permanece suspenso. A defesa afirma que não comentará o mérito da acusação antes da conclusão da perícia, segundo informações publicadas pela Folha.
Caso expõe falhas na informalidade do acolhimento
Além da repercussão policial, o caso levanta um alerta sobre acolhimentos informais, especialmente quando envolvem supostos menores de idade. Situações de vulnerabilidade real exigem resposta rápida, mas também precisam passar por canais oficiais, como Conselho Tutelar, rede de assistência social e órgãos de proteção.
A boa-fé de famílias e comunidades pode ser explorada quando não há checagem documental, acompanhamento institucional e registro adequado. O episódio em Joinville mostra a importância de equilibrar solidariedade com cautela, evitando que pessoas bem-intencionadas sejam vítimas de golpes ou que situações reais de vulnerabilidade fiquem sem a proteção correta.
A investigação segue sob responsabilidade das autoridades de Santa Catarina, enquanto Amanda permanece presa ao menos até a realização da perícia marcada para o fim de junho.