Publicidade

Não é metáfora, é biologia molecular. O fenômeno se chama microquimerismo materno e vem sendo estudado desde os anos 1990, quando exames de DNA começaram a encontrar células geneticamente maternas circulando em adultos de até quarenta e nove anos de idade.

Durante a gestação, a placenta não é a parede impermeável que os livros antigos descreviam. Ela deixa passar células nos dois sentidos. Parte dessas células maternas se instala em tecidos do bebê ainda no útero e permanece ali por décadas. Já foram encontradas no fígado, no timo, na medula óssea, no coração, nos pulmões e até no cérebro.

Elas sobrevivem porque o sistema imunológico do filho, moldado desde o embrião a conviver com elas, aprende a não atacá-las. A amamentação renova essa tolerância. Uma pesquisa publicada em setembro de 2025 pelo Cincinnati Children’s Hospital mostrou que um subgrupo muito específico dessas células ensina o sistema imune a reconhecer traços da mãe como parte do próprio corpo.

O detalhe histórico é quase literário. A palavra quimera vem da mitologia grega e descrevia uma criatura feita de partes de animais diferentes costuradas em um único corpo. Foi o nome que a ciência escolheu quando Diana Bianchi, nos Estados Unidos, identificou células masculinas vivas em mulheres que haviam dado à luz filhos homens vinte e sete anos antes. O monstro da mitologia, afinal, era cada ser humano.

Você saiu do corpo da sua mãe no dia em que nasceu. Mas uma parte dela nunca saiu de você.

Institucional

Contatos

Feito por  GreenFlow 👽