
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) investigou uma nova estratégia para o tratamento do Parkinson. Em experimentos com camundongos, uma molécula com ação anti-inflamatória foi capaz de proteger neurônios e reduzir danos associados à doença.
Os resultados foram publicados na revista Neuropharmacology em 23 de março e indicam que o método pode atuar de forma diferente das terapias atuais, que se concentram principalmente na reposição de dopamina.
A pesquisa avaliou os efeitos de um peptídeo chamado Ac2-26, derivado de uma proteína conhecida como Anexina A1, presente naturalmente no organismo. Segundo os cientistas, a substância atua no controle da neuroinflamação, um processo importante no desenvolvimento do Parkinson.
“Ainda é um estudo experimental, muito inicial, mas que traz uma proposta interessante por apresentar uma estratégia diferente do tratamento convencional. O peptídeo atua na neuroinflamação e não na reposição de dopamina”, afirma Cristiane Damas Gil, da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, em comunicado.
Até agora, o efeito observado é preventivo, já que o peptídeo foi administrado no início do processo de dano cerebral. A próxima etapa será investigar se a substância também pode reverter danos que já estão instalados.
“Nosso próximo passo é investigar se o peptídeo funciona revertendo o dano causado pela doença de Parkinson. Se isso for comprovado, ele se torna um possível novo tratamento”, afirma Cristiane.
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que ainda são necessários novos estudos antes que a estratégia possa ser testada em humanos.