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Inflação dos alimentos desacelera em junho, mas ainda pesa no bolso das famílias

Alimentos perdem força no IPCA-15, mas batata, tomate e feijão seguem pressionando preços Inflação dos alimentos desacelera em junho A inflação dos alimentos perdeu força em junho, mas continuou pressionando o orçamento das famílias brasileiras. Segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, o IPCA-15, divulgado pelo IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas passou de alta de 1,38% em maio para 0,74% em junho. Mesmo com a desaceleração, foi o grupo de maior variação e impacto no índice do mês, com contribuição de 0,16 ponto percentual. A prévia da inflação oficial ficou em 0,41% em junho, abaixo dos 0,62% registrados em maio. No acumulado do ano, o IPCA-15 chegou a 3,45%, enquanto em 12 meses soma 4,80%, acima dos 4,64% observados no período imediatamente anterior. Alimentação no domicílio ainda pesa no orçamento Dentro do grupo Alimentação e Bebidas, a alimentação no domicílio também perdeu força, passando de 1,73% em maio para 0,87% em junho. Ainda assim, produtos básicos continuaram subindo de forma expressiva, afetando diretamente as compras de supermercado. Os maiores aumentos foram registrados na batata-inglesa, com alta de 29,42%; no tomate, com 17,27%; no feijão-carioca, com 14,29%; e na cebola, com 9,54%. Esses itens têm forte presença na mesa do brasileiro e, por isso, mesmo variações pontuais acabam sendo sentidas rapidamente pelas famílias. No acumulado do primeiro semestre, a pressão foi ainda mais forte. Tomate, cenoura e batata-inglesa mais que dobraram de preço, com altas acumuladas de 103,84%, 103,10% e 100,20%, respectivamente. Clima ajuda a explicar alta de hortaliças e legumes Especialistas apontam que alimentos como tomate, batata, cenoura, cebola e folhas são altamente sensíveis às condições climáticas. Chuvas intensas, calor excessivo, geadas, irregularidade no plantio e problemas na colheita podem reduzir a oferta e provocar aumentos rápidos de preços. Esse tipo de alimento também é perecível, o que limita a capacidade de armazenamento por longos períodos. Quando há quebra de produção ou dificuldade logística, o repasse ao consumidor costuma acontecer com velocidade. Para famílias de menor renda, o impacto é mais pesado. Como alimentação representa uma parcela maior do orçamento doméstico, altas em produtos básicos reduzem o poder de compra e obrigam consumidores a trocar marcas, reduzir quantidades ou substituir alimentos. Café e frutas registram queda em junho Apesar da pressão em itens importantes, alguns produtos apresentaram alívio. O café moído caiu 3,69% em junho, enquanto as frutas tiveram queda média de 0,96%, segundo o IBGE. Esses recuos ajudaram a conter parte da alta do grupo Alimentação e Bebidas. No caso do café, a melhora nas expectativas de oferta contribuiu para reduzir a pressão sobre os preços. Ainda assim, o produto segue no radar dos consumidores, já que vinha acumulando fortes altas nos últimos meses e tem peso relevante no consumo diário das famílias brasileiras. A queda nas frutas também ajuda a aliviar a cesta, mas não elimina o problema central: a inflação dos alimentos permanece disseminada em itens de grande consumo. Alimentação fora de casa também desacelera A alimentação fora do domicílio teve desaceleração em junho, passando de 0,51% em maio para 0,40%. O preço das refeições subiu 0,39%, abaixo da alta de 0,57% registrada no mês anterior. Já os lanches aceleraram, passando de 0,37% para 0,45%. Esse comportamento mostra que a pressão dos alimentos não fica restrita ao supermercado. Restaurantes, lanchonetes e pequenos comércios também sofrem com custos de insumos, energia, aluguel, mão de obra e logística. Para trabalhadores que dependem de alimentação fora de casa, mesmo aumentos moderados têm impacto relevante ao longo do mês. O custo diário do almoço, do lanche ou da refeição pronta pesa especialmente em grandes centros urbanos. Inflação exige cautela na economia A desaceleração do IPCA-15 em junho é positiva, mas ainda não representa alívio completo. O grupo Alimentação e Bebidas segue como uma das principais fontes de pressão sobre a inflação e sobre o bolso da população. Em um cenário de juros elevados e renda apertada, controlar o preço dos alimentos é essencial para preservar o poder de compra das famílias. Isso depende de clima favorável, logística eficiente, estabilidade no campo, redução de desperdícios e ambiente econômico previsível para produção e distribuição. O dado de junho mostra melhora em relação a maio, mas também revela que a inflação alimentar continua sendo um desafio central para consumidores, produtores e formuladores de política econômica.

TCE-GO aponta 3.339 servidores com mais de 70% da remuneração comprometida

Auditoria do TCE-GO alerta para superendividamento de servidores estaduais Uma auditoria operacional em andamento no Tribunal de Contas do Estado de Goiás identificou que 3.339 servidores estaduais, entre ativos, aposentados e pensionistas, tiveram mais de 70% da remuneração bruta comprometida por descontos em folha no mês de fevereiro. O levantamento foi realizado na Gerência de Consignação da Secretaria de Estado da Administração e acendeu alerta para o risco de superendividamento no funcionalismo público. TCE-GO aponta descontos acima do limite legal Segundo o TCE-GO, a Lei Estadual nº 16.898/2010 veda o comprometimento de mais de 70% da remuneração com consignações. Mesmo assim, a auditoria encontrou 3.339 casos acima desse limite apenas na folha analisada. Desse total, 2.925 pessoas tiveram entre 70% e 90% da renda comprometida, enquanto 414 ficaram com mais de 90% da remuneração bruta tomada por descontos. O dado chama atenção porque indica que parte dos servidores pode ter ficado com uma parcela muito pequena da renda disponível para despesas básicas, como alimentação, moradia, saúde, transporte e contas domésticas. Polícia Militar concentra maior número de casos A concentração das ocorrências também chamou a atenção dos auditores. A Polícia Militar respondeu por 41,2% dos casos identificados. Em seguida aparecem a Secretaria de Estado da Educação, com 18%, e a Polícia Civil, com 9,4%. O levantamento considera a soma de consignações obrigatórias, como imposto de renda, previdência social e pensão alimentícia, e consignações facultativas, como empréstimos consignados, cartão de benefício e seguro de vida. O TCE-GO também destacou que os empréstimos consignados possuem limite específico e não podem ultrapassar, sozinhos, 35% da renda. Quase 60% do funcionalismo tem consignado O relatório técnico aponta ainda que 59,89% do funcionalismo estadual possui ao menos um empréstimo consignado. Ao todo, são 287.152 operações ativas, com movimentação financeira de aproximadamente R$ 157 milhões. Esses números mostram a dimensão do consignado dentro da vida financeira dos servidores públicos. Embora esse tipo de crédito costume ter juros menores que outras modalidades, o desconto direto em folha pode se tornar um problema quando falta controle da margem, transparência nos contratos e educação financeira. Auditoria avalia controles do governo A auditoria foi iniciada em novembro de 2025 e está sob relatoria do conselheiro Kennedy Trindade. O trabalho é conduzido pela Diretoria de Fiscalização de Pessoal, vinculada à Secretaria de Controle Externo do TCE-GO, com foco nos mecanismos de controle do Estado sobre consignações e no credenciamento das instituições financeiras conveniadas. Segundo o tribunal, o Estado foi alertado sobre as irregularidades e decidiu adotar providências antes mesmo do julgamento final do processo. O TCE-GO informou ainda que servidores que tiveram descontos suspensos ou reduzidos devem buscar orientação diretamente com as instituições financeiras responsáveis pelos contratos. Caso exige controle, transparência e responsabilidade O caso reforça a necessidade de maior rigor na gestão das consignações. O crédito consignado pode ser uma ferramenta legítima para reorganizar dívidas ou acessar recursos em condições mais previsíveis. No entanto, quando a margem é ultrapassada, o instrumento deixa de ser solução e passa a representar risco social, financeiro e administrativo. Para o servidor, o problema aparece no orçamento familiar. Para o Estado, surge a necessidade de melhorar sistemas, fiscalizar instituições conveniadas e garantir que a folha de pagamento não seja usada de forma incompatível com a legislação. A auditoria também levanta um ponto importante sobre eficiência pública. O controle da margem consignável não é apenas uma questão bancária, mas de governança. Cabe ao poder público proteger a legalidade, evitar falhas sistêmicas e impedir que servidores fiquem sem renda mínima para suas necessidades básicas.

Governo planeja emitir dívida em yuan pela 1ª vez para reduzir dependência do dólar

Brasil prepara Panda Bonds na China e abre nova frente para financiar dívida pública O governo brasileiro prepara a primeira emissão de títulos da dívida pública em yuan, moeda oficial da China, em uma operação conhecida no mercado financeiro como Panda Bonds. A iniciativa deve ser anunciada durante uma missão oficial a Xangai e Pequim, prevista entre os dias 24 e 26 de junho, segundo informações publicadas pela Reuters e repercutidas pela CNN Brasil. A operação faz parte de uma estratégia do Tesouro Nacional para ampliar a presença do Brasil em mercados internacionais e diversificar as moedas usadas na captação de recursos. Na prática, o governo emite títulos no mercado chinês, recebe recursos de investidores locais e se compromete a pagar o valor no futuro, com juros, seguindo regras do mercado financeiro da China. Brasil prepara emissão inédita em yuan Os Panda Bonds são títulos emitidos por governos ou empresas estrangeiras dentro do mercado financeiro chinês, denominados em yuan. Para o Brasil, a operação será inédita e marca uma tentativa de reduzir a concentração das captações externas em dólar. Segundo a Reuters, a emissão em moeda chinesa ocorre após o Brasil voltar ao mercado europeu com uma emissão de € 5 bilhões em abril de 2026. O movimento reforça a intenção do governo de ampliar fontes de financiamento e alcançar investidores além dos mercados tradicionais dos Estados Unidos e da Europa. A missão brasileira será liderada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, e terá agendas em Xangai e Pequim. O Ministério da Fazenda não comentou oficialmente os detalhes da operação à Reuters. Estratégia busca reduzir dependência do dólar A emissão em yuan tem objetivo financeiro e geopolítico. Do ponto de vista financeiro, diversificar moedas pode ampliar a base de investidores, criar novas referências de preço para a dívida brasileira e reduzir a dependência de captações em dólar. Do ponto de vista estratégico, a China é o principal parceiro comercial do Brasil. A aproximação financeira acompanha o aumento do peso chinês nas exportações brasileiras e no fluxo de investimentos para infraestrutura, energia, agroindústria e tecnologia. Ainda assim, especialistas costumam alertar que diversificar moeda não elimina riscos. Uma dívida em yuan pode reduzir exposição ao dólar, mas cria exposição à moeda chinesa, às regras do mercado local e à política financeira de Pequim. Por isso, a operação precisa ser avaliada com prudência, transparência e foco no custo final para o contribuinte. Tesouro já estudava a operação desde 2024 A ideia de emitir dívida em moeda chinesa não surgiu agora. Segundo a Gazeta do Povo, o Tesouro Nacional já avaliava emissões em moedas alternativas desde o Plano Anual de Financiamento de 2024, quando passou a considerar oportunidades fora dos mercados tradicionais. Em janeiro de 2026, a Folha de S.Paulo também informou que o Tesouro pretendia ampliar emissões externas, mantendo o dólar como principal referência, mas retomando operações na Europa e preparando entrada no mercado chinês. Esse planejamento mostra que a emissão em yuan não é uma decisão isolada, mas parte de uma política mais ampla de gestão da dívida externa. Relação Brasil-China ganha peso financeiro A viagem ocorre em um momento de fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e China. A Reuters informou que autoridades brasileiras também devem apresentar instrumentos ligados à agenda de sustentabilidade, como o EcoInvest, o Tropical Forest Forever Facility e iniciativas voltadas ao mercado de carbono. A intenção é atrair capital chinês para áreas consideradas estratégicas. Para o governo, a emissão de Panda Bonds pode funcionar como porta de entrada para investidores asiáticos conhecerem melhor o risco soberano brasileiro e ampliarem participação em projetos no país. Para o setor produtivo, especialmente agronegócio, energia e infraestrutura, uma relação financeira mais forte com a China pode abrir novas possibilidades de crédito e investimento. Mas também aumenta a necessidade de equilíbrio diplomático, para que o Brasil não substitua uma dependência por outra. Operação exige cautela fiscal e transparência A emissão de dívida em yuan pode ser positiva se ampliar investidores, reduzir custos e melhorar a gestão da dívida pública. No entanto, o resultado dependerá das condições financeiras: taxa de juros, prazo, demanda, custo cambial e garantias exigidas pelo mercado chinês. Em um país com dívida pública elevada e juros altos, qualquer captação externa precisa ser analisada com responsabilidade fiscal. A diversificação é bem-vinda, mas não substitui o controle de gastos, a previsibilidade econômica e a confiança do mercado na capacidade de pagamento do Estado brasileiro. O anúncio oficial deve indicar valor, prazo, remuneração e estrutura da operação. Até lá, a emissão é tratada como planejada, mas ainda sem detalhes finais divulgados pelo governo.

Bets endividadas deixam rastro de calotes de R$ 100 milhões e recorrem a fusões

Crise em bets menores expõe fragilidade financeira no mercado de apostas online O mercado brasileiro de apostas online começa a registrar os primeiros sinais de estresse financeiro entre operadoras menores. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, casos pontuais de bets endividadas já deixam um rastro de cobranças que se aproximam de R$ 100 milhões, envolvendo dívidas com clubes de futebol, fornecedores e obrigações junto à União. A situação expõe um problema que vinha sendo mascarado pela forte expansão do setor: nem todas as empresas que entraram no mercado têm estrutura financeira, governança e escala suficientes para sustentar contratos milionários, custos regulatórios, publicidade agressiva e concorrência com grandes grupos. Bets endividadas acendem alerta no mercado De acordo com a Folha, o caso mais grave identificado envolve uma empresa de pequeno porte, com participação reduzida no mercado, mas alvo de cobranças judiciais próximas a R$ 100 milhões. A reportagem também aponta casos de marcas menores que foram absorvidas por grupos mais consolidados, em movimento de fusão, venda ou incorporação. Para especialistas do setor, o rompimento de contratos de patrocínio é um dos sinais mais claros de dificuldade de caixa. Outro indício é a busca por compradores maiores, capazes de assumir operação, tecnologia, carteira de clientes e obrigações regulatórias. O presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias, Plínio Lemos, afirmou à Folha que a quebra de contratos comerciais e a venda para grupos maiores mostram quando um negócio deixou de ser viável isoladamente. Patrocínios no futebol viram ponto sensível Nos últimos anos, as bets se tornaram grandes patrocinadoras de clubes, campeonatos e transmissões esportivas no Brasil. O dinheiro das apostas ocupou espaço deixado por outros setores e passou a financiar camisas, placas, ativações digitais e contratos de mídia. O problema é que parte dessas empresas apostou em crescimento rápido demais. Em um ambiente de forte concorrência, o custo para aparecer ficou alto. Patrocinar clubes populares, comprar mídia, oferecer bônus, manter operação tecnológica e pagar outorga regulatória exige caixa robusto. Quando a receita não acompanha a despesa, os contratos esportivos podem virar o primeiro alvo de renegociação. Para os clubes, isso gera insegurança financeira. Para o mercado, indica que a fase de euforia começa a dar lugar a uma etapa de consolidação. Regulação aumenta custo e filtra empresas Desde a regulamentação federal, as empresas de apostas de quota fixa precisam de autorização prévia da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda para operar no Brasil. A SPA é responsável por autorizar, monitorar, fiscalizar e sancionar empresas do setor. As regras exigem estrutura jurídica, regularidade fiscal e trabalhista, qualificação técnica, idoneidade e capacidade econômico-financeira. A autorização também envolve custos elevados, o que tende a favorecer grupos com maior capital e experiência de gestão. Na prática, o mercado entra em uma fase mais seletiva. Empresas sem escala, sem controle de risco ou sem caixa suficiente podem ser pressionadas a vender operação, buscar fusão ou sair do setor. Consumidores também ficam expostos A crise de bets endividadas não afeta apenas clubes e fornecedores. Consumidores também podem enfrentar riscos quando mantêm saldo em plataformas financeiramente frágeis. A Folha destaca que o setor não conta com proteção equivalente ao Fundo Garantidor de Crédito dos bancos. A regulação tenta reduzir esse risco ao exigir separação de recursos dos apostadores e mecanismos de segurança financeira. Ainda assim, especialistas apontam que o funcionamento prático dessas proteções só será plenamente testado em casos concretos de insolvência ou recuperação judicial. Por isso, o avanço da fiscalização é essencial. Um mercado que movimenta grande volume de dinheiro precisa ter regras claras, transparência, proteção ao consumidor e punição para operações que descumprirem obrigações. Consolidação deve marcar nova fase das bets O cenário aponta para uma tendência de concentração. Grupos maiores, com mais capital, tecnologia e capacidade regulatória, tendem a absorver operadores menores. Esse movimento já ocorreu em outros setores digitais, como fintechs, delivery e varejo online. Do ponto de vista econômico, a consolidação pode trazer mais estabilidade. Porém, também exige atenção das autoridades para evitar concentração excessiva, práticas abusivas e fragilidade na proteção de usuários. O episódio reforça uma leitura de cautela: o setor de apostas online cresceu rápido, mas agora passa pelo teste da realidade financeira. Sem gestão responsável, capital suficiente e fiscalização efetiva, contratos milionários podem se transformar em dívidas, calotes e disputas judiciais.

Mercado eleva previsão para juros e inflação em 2026, aponta Banco Central

Boletim Focus vê Selic a 14% e IPCA acima do teto da meta em 2026 O mercado financeiro voltou a elevar as projeções para a inflação e para a taxa básica de juros em 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, passou de 5,30% para 5,33% neste ano. Foi a 15ª alta consecutiva da previsão de inflação feita por analistas e instituições financeiras. A projeção para a Selic ao fim de 2026 também subiu. O mercado passou a esperar juros básicos de 14% ao ano, ante 13,75% na semana anterior. O movimento ocorre poucos dias depois de o Comitê de Política Monetária, o Copom, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Mercado eleva previsão para juros e inflação A nova rodada do Focus reforça a leitura de que a inflação continua resistente. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o teto da meta é de 4,5%. Com previsão de 5,33%, o IPCA esperado para 2026 segue acima do intervalo perseguido pelo Banco Central. Em maio, a inflação oficial foi pressionada pelos alimentos e fechou em 0,58%. No acumulado em 12 meses, o IPCA chegou a 4,72%, acima do teto da meta, segundo dados citados pela Agência Brasil com base no IBGE. Esse quadro reduz o espaço para cortes mais fortes nos juros. A inflação acima da meta, combinada com incertezas externas e pressões domésticas, obriga o Banco Central a manter uma postura cautelosa. Selic deve terminar 2026 em 14% A previsão de Selic a 14% no fim do ano indica que o mercado espera um ciclo de queda mais limitado. A taxa básica está atualmente em 14,25% ao ano, após três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual pelo Copom. Na ata mais recente, o Banco Central indicou que pode combinar pausas e novos cortes para conduzir a inflação de volta à meta de forma gradual. A autoridade monetária argumentou que tentar forçar uma convergência mais rápida poderia provocar mudanças bruscas nos juros e maior volatilidade na economia. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 4 e 5 de agosto. Segundo a Agência Brasil, o mercado vê esse encontro como possível momento da última redução da Selic no ano, caso os dados econômicos permitam. Juros altos pesam sobre crédito e consumo A manutenção de juros elevados tem efeitos diretos sobre famílias e empresas. Quando a Selic fica alta, empréstimos, financiamentos, cartões, capital de giro e compras parceladas tendem a ficar mais caros. Isso reduz o consumo, dificulta investimentos e aumenta o custo de rolagem de dívidas. Para o setor produtivo, a preocupação é dupla. De um lado, juros altos ajudam a conter a inflação. De outro, encarecem o crédito e limitam a expansão de empresas, especialmente pequenos negócios, construção civil, varejo e setores que dependem de financiamento. A alta nas projeções também aumenta a pressão sobre a política fiscal. Em um ambiente de inflação resistente, gastos públicos elevados ou estímulos mal calibrados podem dificultar o trabalho do Banco Central e prolongar o período de juros altos. PIB e dólar também aparecem no Focus O Boletim Focus também trouxe ajustes nas projeções de atividade econômica. A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 passou de 1,96% para 1,98%. Para 2027, a previsão permaneceu em 1,7%, enquanto 2028 e 2029 seguem com expectativa de avanço de 2%. No câmbio, a previsão para o dólar ao fim de 2026 ficou em R$ 5,20. Para o fim de 2027, o mercado projeta a moeda americana a R$ 5,27. Esses indicadores ajudam a medir o grau de confiança do mercado. Crescimento moderado, inflação acima da meta e juros ainda elevados formam um cenário que exige prudência de consumidores, empresários e governo. Desafio é reduzir inflação sem travar a economia O principal desafio do Banco Central será conduzir a inflação de volta à meta sem provocar uma desaceleração excessiva da atividade econômica. Para isso, a autoridade monetária dependerá dos próximos dados de preços, emprego, crédito, câmbio e contas públicas. A sinalização do Focus é clara: o mercado ainda vê inflação pressionada e juros altos por mais tempo. Para o Brasil voltar a ter crédito mais barato de forma sustentável, será necessário combinar política monetária responsável, controle fiscal, previsibilidade institucional e melhora no ambiente de negócios.

Rio Verde lidera exportações de Goiás e movimenta US$ 300,8 milhões em maio

Com força do agro, Rio Verde responde por 23% das exportações goianas em maio Rio Verde voltou a confirmar seu peso no agronegócio brasileiro ao liderar as exportações de Goiás em maio de 2026. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, a SIC, o município movimentou US$ 300,8 milhões em vendas internacionais no mês, o equivalente a 23,06% de tudo o que o estado exportou no período. O desempenho colocou Rio Verde na liderança isolada do ranking estadual. O resultado foi mais que o dobro do registrado por Jataí, segundo colocado, que exportou US$ 130,4 milhões e respondeu por 10% das vendas externas goianas em maio. Na sequência apareceram Alto Horizonte, com US$ 116,6 milhões; Mozarlândia, com US$ 63,1 milhões; e Palmeiras de Goiás, com US$ 56,9 milhões. Rio Verde lidera exportações de Goiás O resultado reforça a posição de Rio Verde como um dos principais polos agroindustriais do Centro-Oeste. A cidade reúne produção em larga escala, presença de agroindústrias, estrutura logística, armazenagem, processamento e conexão direta com cadeias exportadoras. Em maio, Goiás registrou exportações totais de aproximadamente US$ 1,3 bilhão e importações de US$ 502,2 milhões, gerando saldo comercial positivo de US$ 802,6 milhões, de acordo com levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Goiás. Dentro desse cenário, a participação de Rio Verde chama atenção. Sozinho, o município respondeu por quase um quarto das exportações estaduais no mês, demonstrando que sua economia não depende apenas da produção primária, mas de uma cadeia mais ampla, ligada a alimentos, grãos, carnes, insumos, processamento e distribuição. Agroindústria impulsiona desempenho do município A força exportadora de Rio Verde está associada ao dinamismo do agronegócio e da agroindústria. O município tem forte presença nas cadeias da soja, milho, carnes e biocombustíveis, setores que ajudam a sustentar o movimento econômico local e regional. O desempenho também mostra a importância de agregar valor à produção. Quando uma cidade consegue combinar lavoura, pecuária, industrialização, armazenagem e logística, ela se torna mais competitiva no mercado externo. Esse modelo fortalece empregos, arrecadação, investimentos e oportunidades para empresas ligadas ao setor produtivo. Rio Verde se destaca justamente por ter uma estrutura econômica integrada. A produção rural abastece indústrias, cooperativas, tradings, transportadoras, prestadores de serviço e empresas de apoio ao campo. Essa engrenagem ajuda a explicar por que o município aparece com tanta força no comércio exterior goiano. China segue como principal destino das exportações goianas No recorte estadual, a China permaneceu como principal destino das exportações de Goiás em maio de 2026. O país asiático comprou US$ 673 milhões em produtos goianos, o equivalente a 51,58% do total vendido pelo estado ao exterior. Também se destacaram Estados Unidos, Espanha, Países Baixos e Tailândia. A forte presença da China como compradora reforça a dependência das commodities e dos produtos agroindustriais nas relações comerciais de Goiás. Para municípios como Rio Verde, isso representa oportunidade, mas também exige atenção a fatores como câmbio, demanda internacional, logística, sanidade, competitividade e diversificação de mercados. Quanto maior a inserção internacional, maior também a necessidade de planejamento. A cidade precisa seguir investindo em infraestrutura, qualificação profissional, segurança jurídica, armazenagem e ambiente favorável ao setor produtivo. Liderança reforça papel econômico de Rio Verde A liderança de Rio Verde nas exportações não é apenas um dado comercial. Ela demonstra o peso do município na geração de divisas, na interiorização do desenvolvimento e na consolidação de Goiás como potência do agronegócio nacional. Em um momento em que o Brasil discute competitividade, carga tributária, logística e industrialização, o caso de Rio Verde mostra o impacto positivo de regiões que conseguem transformar vocação produtiva em presença internacional. Ao mesmo tempo, o resultado aumenta a responsabilidade do poder público. Um município com esse peso econômico precisa de estradas eficientes, energia confiável, segurança no campo, políticas de qualificação, incentivo à inovação e estrutura urbana compatível com o crescimento. Desafio é ampliar valor agregado Apesar do resultado expressivo, o desafio de Rio Verde é continuar avançando na agregação de valor. Exportar grãos e produtos agroindustriais é importante, mas ampliar a industrialização local pode multiplicar empregos e aumentar a renda gerada dentro do próprio município. Com exportações de US$ 300,8 milhões em apenas um mês, Rio Verde mostra que tem escala, produção e capacidade empresarial. O próximo passo é fortalecer ainda mais a transformação local, atrair novos investimentos e consolidar cadeias produtivas mais sofisticadas. O desempenho de maio confirma que Rio Verde segue como uma das locomotivas econômicas de Goiás. Mais do que liderar um ranking, o município demonstra que o setor produtivo, quando encontra condições para crescer, é capaz de colocar o interior brasileiro em posição de destaque no mercado internacional.

Abate de gado atinge melhor 1º trimestre da série histórica no Brasil

Pecuária brasileira começa 2026 com recordes em bovinos, suínos e leite O agronegócio brasileiro começou 2026 com números expressivos na produção animal. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o país registrou crescimento no abate de bovinos, suínos e frangos no primeiro trimestre, além de avanço na aquisição de leite cru e na produção de ovos. O destaque ficou para o abate de bovinos, que chegou a 10,29 milhões de cabeças, o maior volume para um primeiro trimestre desde o início da série histórica da pesquisa, em 1997. Abate de gado no Brasil bate recorde no primeiro trimestre Entre janeiro e março de 2026, foram abatidas 10,29 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de inspeção sanitária. O número representa alta de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, houve queda de 6,8%, movimento considerado comum em razão da sazonalidade da produção pecuária. A produção de carcaças bovinas também avançou. Segundo o IBGE, o volume chegou a 2,63 milhões de toneladas no primeiro trimestre, alta de 5,1% frente ao mesmo período de 2025. O desempenho reforça a força da pecuária de corte brasileira, que segue entre os setores mais competitivos do agro nacional. O resultado é importante não apenas pelo volume, mas também pelo impacto econômico. A cadeia da carne bovina envolve pecuaristas, frigoríficos, transportadores, indústrias, exportadores, comércio e serviços. Quando o abate cresce com inspeção sanitária, há também maior formalização, rastreabilidade e capacidade de atender mercados internos e externos. Suínos e frangos também crescem O setor de suínos também teve desempenho recorde para o período. O Brasil abateu 15,27 milhões de cabeças no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 5,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve leve retração de 0,1%. A produção de carcaças suínas somou 1,37 milhão de toneladas, alta de 2,6% na comparação anual. O avanço mostra a consolidação da suinocultura brasileira, especialmente em regiões com forte presença de integração produtiva, tecnologia no campo e estrutura industrial organizada. No frango, o país registrou o abate de 1,71 bilhão de cabeças no primeiro trimestre. O resultado ficou 3,7% acima do observado no mesmo período de 2025. O peso acumulado das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, alta de 7% na comparação anual e avanço de 2,3% frente ao quarto trimestre de 2025. Leite cru e ovos reforçam bom momento da produção animal A aquisição de leite cru pelas indústrias sob inspeção sanitária também cresceu. O volume chegou a 6,78 bilhões de litros no primeiro trimestre de 2026, alta de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em relação ao quarto trimestre de 2025, houve queda de 7,9%. A produção de ovos de galinha somou 1,21 bilhão de dúzias, com crescimento de 0,4% na comparação anual. Mesmo sendo uma alta moderada, o número mostra estabilidade em um segmento essencial para a segurança alimentar e para o consumo diário das famílias brasileiras. Já a aquisição de couro cru bovino pelos curtumes atingiu 10,76 milhões de peças no primeiro trimestre. O volume ficou estável em relação ao primeiro trimestre de 2025 e caiu 3,3% frente ao trimestre anterior. Agro mantém peso estratégico na economia Os dados reforçam o papel estratégico da pecuária e da produção animal para a economia brasileira. O setor gera empregos, movimenta cadeias produtivas regionais, sustenta exportações e contribui para o abastecimento interno de alimentos. O bom desempenho também mostra a importância de políticas voltadas à sanidade animal, logística, segurança jurídica e abertura de mercados. Em um país com forte vocação produtiva, o crescimento sustentável do agro depende de infraestrutura, previsibilidade e ambiente favorável ao investimento privado. Apesar dos recordes, o setor ainda enfrenta desafios. Custos de produção, logística, câmbio, exigências sanitárias, pressão ambiental e necessidade de agregação de valor seguem no radar de produtores e indústrias. A expansão da produção precisa caminhar junto com eficiência, tecnologia e responsabilidade no uso dos recursos naturais. O primeiro trimestre de 2026, porém, confirma que a produção animal brasileira segue competitiva e capaz de ampliar sua presença no mercado interno e internacional. Para um país que busca crescimento econômico, geração de renda e fortalecimento do setor produtivo, os números do IBGE mostram que o agro continua sendo uma das bases mais sólidas da economia nacional.

Rio Verde acumula déficit de 1,2 milhão de toneladas em armazenagem de grãos

Produção agrícola cresce mais rápido que silos e pressiona logística em Rio Verde Produção agrícola supera capacidade de armazenagem em Rio Verde Rio Verde, uma das principais potências do agronegócio brasileiro, enfrenta um gargalo crescente na armazenagem de grãos. Mesmo com 129 unidades armazenadoras e capacidade estática aproximada de 2,7 milhões de toneladas, o município produziu mais de 4 milhões de toneladas de soja, milho e sorgo, gerando um déficit superior a 1,2 milhão de toneladas, segundo levantamento divulgado pelo Rio Verde Rural. O problema expõe uma contradição do sucesso produtivo local: a produção no campo avança em ritmo mais acelerado do que os investimentos em silos, armazéns e estruturas de pós-colheita. O resultado é uma pressão maior sobre produtores, cooperativas, cerealistas, transportadoras e indústrias que dependem de fluxo contínuo de grãos. Déficit de armazenagem reduz poder de negociação Na prática, quando não há espaço suficiente para guardar a safra, muitos produtores são obrigados a vender logo após a colheita, justamente no período em que há maior oferta e, muitas vezes, menor margem de negociação. Documentos técnicos sobre armazenagem no Brasil apontam que a estrutura adequada permite ao produtor aguardar melhores oportunidades de comercialização e reduzir custos de frete em momentos de pico de escoamento. Esse é um ponto estratégico para Rio Verde. A cidade tem forte produção de soja e milho. Em 2024, por exemplo, a expectativa divulgada pelo prefeito Paulo do Vale era de 1,8 milhão de toneladas de soja e 2,5 milhões de toneladas de milho na safra local, números que ajudam a dimensionar o peso do município no agro goiano. Quando a estrutura de armazenagem não acompanha esse volume, o produtor perde flexibilidade. Em vez de decidir o melhor momento para vender, ele passa a depender de janela logística, preço de frete, fila de descarga e disponibilidade de terceiros. Gargalo afeta logística, renda e competitividade O déficit de armazenagem também aumenta o custo logístico. Caminhões passam a circular de forma concentrada durante a colheita, sobrecarregando estradas, pátios, tradings e unidades de recebimento. Esse acúmulo pode gerar filas, demora no descarregamento, aumento de custos operacionais e perda de eficiência. Para uma cidade que depende fortemente do agro, o impacto vai além da porteira. Armazenagem insuficiente pode limitar a agregação de valor, reduzir a previsibilidade para indústrias e dificultar a atração de novos projetos de processamento local. Rio Verde já se consolidou como polo produtivo, logístico e industrial. No entanto, para transformar produção em renda duradoura, é preciso ampliar a infraestrutura que sustenta a cadeia. Silos, armazéns, secadores, unidades de classificação e estruturas de transbordo são ativos fundamentais para dar mais autonomia ao produtor e mais estabilidade ao mercado regional. Problema não é exclusivo de Rio Verde O desafio da armazenagem não atinge apenas Rio Verde. Em estudo técnico apresentado no âmbito do Ministério da Agricultura, dados da Conab indicavam que, entre 2001 e 2021, a produção agrícola cresceu 223,19%, enquanto a capacidade estática avançou 92,48%, evidenciando um descompasso estrutural no país. O IBGE também registrou que a capacidade de armazenagem agrícola do Brasil chegou a 231,1 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2025, alta de 1,8% frente ao semestre anterior. Apesar do avanço, o crescimento nacional ainda convive com pressão de safras volumosas e distribuição desigual das estruturas entre regiões produtoras. No caso do Sudoeste de Goiás, a preocupação é ainda mais relevante porque a região figura entre as áreas de maior produção de grãos do país. Documento da Conab já apontava o Sudoeste goiano entre as microrregiões com maior déficit projetado de capacidade estática a granel até 2030. Investimento em silos é prioridade para o agro local O avanço da armazenagem precisa ser tratado como prioridade de infraestrutura econômica. Linhas de financiamento, segurança jurídica, licenciamento mais ágil, acesso à energia, incentivos à armazenagem em fazendas e parcerias com cooperativas podem acelerar a expansão da capacidade instalada. Também há espaço para estimular a industrialização local. Quanto mais grão for processado em Rio Verde, maior será a geração de empregos, renda, arrecadação e valor agregado. A produção agrícola não deve ser vista apenas como volume transportado para fora, mas como base para cadeias industriais mais fortes. Rio Verde segue como vitrine do agronegócio nacional. O desafio agora é garantir que a infraestrutura cresça na mesma velocidade da produtividade. Sem isso, parte do potencial econômico da cidade continuará represada por um gargalo que já ultrapassa 1,2 milhão de toneladas.

232 empresas brasileiras no Paraguai expõem peso dos impostos e do custo Brasil

Migração de empresas ao Paraguai acende alerta sobre competitividade do Brasil Empresas brasileiras no Paraguai reacendem debate tributário A presença de 232 empresas brasileiras no Paraguai passou a ocupar o centro do debate econômico após levantamento mostrar que companhias nacionais têm buscado no país vizinho um ambiente de produção mais simples, com menor carga tributária, energia mais barata e encargos reduzidos. O dado, divulgado pelo Poder360 com base em informações do governo paraguaio e da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai, refere-se ao período de 2007 a março de 2026. O movimento ocorre principalmente dentro do regime de maquila, modelo que permite a empresas estrangeiras produzirem no Paraguai com incentivos fiscais, desde que a maior parte da produção seja voltada à exportação. Segundo o levantamento, fábricas nesse regime pagam, em média, cerca de 12% em impostos e encargos trabalhistas, enquanto no Brasil a carga pode chegar a patamares muito superiores em alguns setores. Custo Brasil pesa contra a indústria nacional A migração de empresas brasileiras para o Paraguai não pode ser explicada por um único governo ou uma única medida. Checagem da AFP destacou que o número de 232 empresas corresponde a um período longo, iniciado em 2007, e que o auge dessa tendência ocorreu entre 2017 e 2020. Ainda assim, o avanço do fenômeno expõe um problema estrutural: o Brasil continua caro, burocrático e difícil para quem quer produzir. O chamado “custo Brasil” reúne impostos complexos, insegurança regulatória, encargos trabalhistas elevados, logística cara, excesso de obrigações acessórias e dificuldade de planejamento. Para a indústria, esses fatores reduzem margem, travam investimento e tornam a produção nacional menos competitiva diante de países vizinhos com regras mais simples. No Paraguai, além da tributação mais leve, empresas encontram energia abundante e mais barata. Segundo reportagem do Poder360, a energia pode custar até 60% menos no país vizinho, enquanto simulações citadas pelo veículo indicam que, considerando apenas a diferença de impostos sobre consumo e faturamento, o lucro empresarial pode ser até 150% maior que no Brasil. Regime de maquila atrai setores industriais O regime paraguaio tem atraído especialmente empresas dos setores têxtil, plástico, alumínio, alimentos, químicos, eletrônicos e autopeças. Segundo o Poder360, das 232 maquiladoras brasileiras identificadas, 89 são do setor de confecção e tecidos, o que mostra a força do Paraguai como polo de produção para cadeias que enfrentam alta concorrência de importados e forte pressão de custos. A Revista Oeste informou que o Paraguai tem mais de 320 empresas estrangeiras registradas no regime especial de maquila e que cerca de 70% delas são brasileiras. As maquiladoras teriam gerado mais de 35 mil empregos diretos no país vizinho, muitos deles ligados à produção de mercadorias destinadas ao mercado brasileiro. Esse ponto é sensível para o Brasil. Quando uma empresa decide produzir fora, o país perde parte da oportunidade de gerar empregos industriais, arrecadação, inovação, fornecedores locais e renda em regiões que dependem do setor produtivo. Paraguai oferece regra simples; Brasil precisa reagir O modelo paraguaio não é perfeito, mas oferece algo que empresários valorizam: previsibilidade. Imposto mais simples, menor custo trabalhista, incentivos de longo prazo e energia competitiva formam um pacote difícil de ignorar para quem precisa disputar mercado. No Brasil, a resposta não deveria ser atacar quem busca sobreviver em outro ambiente de negócios, mas entender por que tantas empresas consideram mais racional produzir fora. Um país que pune investimento com burocracia, impostos em cascata e insegurança jurídica acaba empurrando capital para onde há mais estabilidade. A reforma tributária aprovada no Brasil ainda precisará provar, na prática, que será capaz de simplificar o sistema, reduzir litígios e tornar a indústria mais competitiva. Enquanto isso não ocorre, o Paraguai segue ocupando espaço como alternativa para empresas que buscam menor custo operacional. Migração empresarial é alerta para o futuro do Brasil A ida de empresas brasileiras para o Paraguai deve ser vista como um alerta econômico e institucional. O problema não é apenas a perda de uma fábrica ou de uma linha de produção, mas a sinalização de que o ambiente nacional ainda afasta investimentos que poderiam fortalecer a indústria, gerar empregos e ampliar a arrecadação de forma sustentável. O Brasil precisa de responsabilidade fiscal, segurança jurídica e um Estado mais eficiente. Sem isso, a tendência é que empresários continuem comparando custos e escolhendo países onde produzir seja menos arriscado. Mais do que lamentar a saída de empresas, o país precisa enfrentar a raiz do problema: um sistema que, por décadas, tornou caro produzir, contratar, crescer e competir.

Refinanciamento veicular cresce em Rio Verde e vira alternativa para organizar dívidas

Com veículo como garantia, brasileiros buscam crédito para quitar dívidas, reformar a casa e investir O refinanciamento veicular tem ganhado espaço entre brasileiros que buscam crédito para quitar dívidas, reformar a casa, investir no próprio negócio ou reorganizar o orçamento familiar. A modalidade, também conhecida como empréstimo com garantia de veículo, permite que o proprietário use carro, moto ou outro veículo como garantia da operação, sem precisar vender o bem e, na maioria dos casos, continuando a utilizá-lo normalmente durante o pagamento das parcelas. Em Rio Verde, no sudoeste goiano, esse tipo de crédito também vem se consolidando como uma alternativa para consumidores que procuram fôlego financeiro sem abrir mão do veículo. Segundo levantamento interno da OlivewCred, empresa sediada no município e que atua como correspondente bancário, a procura pelo refinanciamento veicular cresceu de forma consistente nos últimos 14 meses, especialmente entre pessoas que desejam trocar dívidas caras por uma operação com garantia. A OlivewCred que atua como correspondente bancário e possui endereço em Rio Verde, na Rua Vitalina Arantes. Declara que não solicita pagamento antecipado de clientes, seja em nome próprio ou de terceiros, ponto relevante para a segurança do consumidor em operações de crédito. Refinanciamento veicular em Rio Verde ganha espaço O avanço do refinanciamento veicular em Rio Verde acompanha uma realidade observada em várias cidades brasileiras: famílias, autônomos, produtores, comerciantes e trabalhadores assalariados têm buscado alternativas para reorganizar compromissos financeiros sem recorrer a modalidades mais caras de crédito. Na prática, o cliente apresenta o veículo como garantia e passa por análise de crédito, avaliação do bem e conferência documental. Com a aprovação, o valor é liberado para uso livre. Isso significa que o dinheiro pode ser usado para quitar cartões, empréstimos pessoais, financiamentos, realizar uma reforma, investir em ferramentas de trabalho ou reforçar o caixa de uma pequena empresa. A vantagem central está no fato de a garantia reduzir o risco da operação para a instituição financeira. Por isso, esse tipo de crédito costuma oferecer condições mais competitivas do que empréstimos pessoais sem garantia, embora as taxas variem conforme perfil do cliente, valor do veículo, prazo, banco parceiro e análise de crédito. Crédito pode ajudar na quitação de dívidas Uma das principais finalidades do refinanciamento veicular é a substituição de dívidas mais caras por uma dívida mais organizada. Para muitos consumidores, a modalidade pode ser usada para concentrar débitos em uma única parcela, com prazo maior e melhor previsibilidade no orçamento. Essa estratégia pode fazer sentido quando o consumidor troca juros mais altos por uma operação com Custo Efetivo Total menor. O Serasa destaca que o refinanciamento pode ser uma ferramenta para reorganizar dívidas ou obter recursos para novos projetos, mas ressalta que a decisão exige análise cuidadosa, já que o veículo fica vinculado como garantia até a quitação do contrato. Por isso, especialistas recomendam que o cliente compare taxas, prazo, valor final pago e impacto da parcela no orçamento mensal. O ideal é que a nova dívida ajude a resolver um problema financeiro, e não apenas adie uma dificuldade. Reforma, construção e investimento também entram no radar Além da quitação de dívidas, o refinanciamento veicular tem sido usado por brasileiros para objetivos produtivos e familiares. Entre os usos mais comuns estão reforma da casa, construção, compra de materiais, investimento em pequenos negócios, aquisição de equipamentos e capital de giro. Bancos que oferecem empréstimo com garantia de veículo destacam justamente essa liberdade de uso do dinheiro. O banco C6, por exemplo, informa que o crédito pode ser usado para investir no próprio negócio, reformar a casa ou trocar dívidas altas por uma operação com taxas mais baixas. Esse ponto é importante para cidades como Rio Verde, onde o dinamismo econômico envolve comércio, serviços, agronegócio e trabalho autônomo. Em muitos casos, o veículo representa não apenas um bem de transporte, mas também um patrimônio capaz de abrir acesso a crédito com planejamento. OlivewCred se destaca no mercado local No mercado local, a OlivewCred afirma ter se consolidado como uma das principais empresas de intermediação de crédito em Rio Verde. Segundo levantamento interno da companhia, baseado em atendimentos, propostas encaminhadas e contratos intermediados junto a instituições financeiras parceiras, a empresa teria liderado o volume de refinanciamentos veiculares realizados na cidade nos últimos 14 meses. O crescimento da demanda ajuda a explicar a presença maior desse serviço na rotina financeira dos moradores. Para quem precisa de crédito, o atendimento local pode facilitar a simulação, o envio de documentos, o esclarecimento de dúvidas e a comparação entre propostas de diferentes instituições. Planejamento é essencial antes de contratar O especialista Washington Oliveira recomenda: “Apesar das vantagens, o refinanciamento veicular deve ser contratado com responsabilidade. Como o veículo entra como garantia, a inadimplência pode gerar consequências relevantes, incluindo restrições financeiras e risco de perda do bem em caso de descumprimento do contrato. O Serasa orienta que o consumidor avalie se a parcela cabe no orçamento e se a taxa realmente é melhor do que a das dívidas que pretende quitar.” Ele também ressalta importância de observar se o veículo está regularizado, se está no nome do solicitante, qual percentual do valor do bem pode ser liberado, quais tarifas estão incluídas e qual é o Custo Efetivo Total da operação. Bancos como Santander e PAN informam que as condições dependem de análise de crédito, perfil do cliente e características do veículo. “Em um cenário de orçamento apertado para muitas famílias, o refinanciamento veicular pode ser uma ferramenta útil quando usado com estratégia. Para Rio Verde, onde a economia local é marcada por forte atividade produtiva, a modalidade aparece como alternativa para transformar um bem já conquistado em recurso para reorganização financeira, investimento e novos projetos.” conclui Washington. Gostou ? Compartilhe

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