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ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIA BATE RECORDE E ATINGE 49,9% DA RENDA

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro, o maior patamar da série histórica do Banco Central. O comprometimento da renda com dívidas chegou a 29,7%, sendo 10,63% só com pagamento de juros. O cartão de crédito rotativo é um dos principais vilões: juros de 428,3% ao ano em março, mas a concessão nessa modalidade somou R$ 109,7 bilhões no primeiro trimestre, alta de 9,7% sobre o mesmo período de 2025. O governo prepara um Desenrola 2.0 usando recursos do FGTS para renegociação de dívidas, com uma trava: quem aderir não poderá contrair novas linhas de crédito caras, como o rotativo do cartão.

Venda bilionária da Serra Verde rompe lógica internacional e reposiciona Goiás entre EUA e China

A compra de 100% do grupo Serra Verde pela americana USA Rare Earth, anunciada nesta segunda-feira, 20, por cerca de US$ 2,8 bilhões, pode mudar a lógica internacional das terras raras produzidas em Goiás. Embora a mina Pela Ema, em Minaçu, permaneça operando no Brasil e, segundo o governo estadual, sem alteração imediata em sua estrutura local, a tendência é de redirecionamento comercial da produção hoje majoritariamente comprometida com a China para uma cadeia sob liderança dos Estados Unidos. O negócio ainda depende de aprovações regulatórias e tem fechamento previsto para o terceiro trimestre de 2026. A USA Rare Earth informou que a operação envolve US$ 300 milhões em dinheiro e US$ 126,849 milhões de novas ações emitidas pela companhia, o que, com base no preço de fechamento do papel em 17 de abril, implica valor de mercado aproximado de US$ 2,8 bilhões para a Serra Verde. O ativo principal é a mina e planta de processamento Pela Ema, em Goiás, apresentada pela compradora como a única operação em escala fora da Ásia capaz de fornecer os quatro principais elementos magnéticos de terras raras: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. O anúncio tem peso econômico e geopolítico. As terras raras são insumos estratégicos para veículos elétricos, turbinas eólicas, semicondutores, robôs, drones, equipamentos médicos, data centers e sistemas de defesa. Por isso, a aquisição foi apresentada pela empresa americana como um passo “transformacional” para a construção de uma cadeia integrada de mineração, separação química, metalização e fabricação de ímãs fora da esfera de influência chinesa. A mudança, porém, exige precisão. A mina goiana não estava sob controle societário chinês. O que havia, em 2025, era uma forte dependência comercial e industrial da China: quase toda a produção da Serra Verde já estava contratada para compradores chineses, porque praticamente só a China possuía, em escala, capacidade para processar e separar parte desses minerais, especialmente as terras raras pesadas. CEO da Serra Verde, Thras Moraitis, disse no ano passado que a China era “o único cliente” capaz de processar e separar o produto, e que a vasta maioria da produção estava comprometida com o país do leste asiático ao menos até 2027.

Carne bovina dispara e atinge maior valor em 29 anos

O preço do boi gordo alcançou, em abril, o maior nível desde 1997, pressionando o valor da carne bovina no Brasil e ampliando a diferença em relação a outras proteínas. Dados do Cepea indicam que a carne suína atingiu a maior vantagem de preço em quatro anos. Hoje, é possível comprar cerca de 2,46 kg de carne suína pelo valor de 1 kg de carne bovina. A alta é atribuída à menor oferta de animais para abate e à valorização da arroba, que gira em torno de R$ 365. O cenário também é influenciado pelas exportações, especialmente pela demanda da China, e já pressiona a indústria frigorífica, que faz ajustes no setor.

Argentinos recorrem à carne de burro para driblar a crise econômica

A crise econômica na Argentina tem feito consumidores mudarem os hábitos alimentares. Com a carne bovina cada vez mais cara, parte da população passou a buscar alternativas mais baratas. Nesse cenário, a carne de burro ganha espaço no mercado. Segundo o jornal argentino Página12, a forte alta no preço da carne bovina transformou o produto em item de luxo, frustrando promessas de campanha de Javier Milei de redução de custos e impactando diretamente o consumo. Nos últimos meses, os preços subiram de forma acelerada no mercado, com aumentos superiores a 10% em apenas um mês. Em alguns casos, cortes populares chegaram a ultrapassar 25 mil pesos argentinos (cerca de R$ 125), o que provocou uma queda de aproximadamente 20% no consumo. Diante da crise, famílias passaram a reduzir a compra de carne bovina e migraram inicialmente para opções mais baratas, como frango e carne suína, que acabaram também registrando aumento de preços. Em um segundo momento, o consumo foi ainda mais reduzido, com maior procura por alimentos básicos, como ovos. Com a escalada dos preços, açougues passaram a buscar alternativas para manter as vendas. Nesse contexto, surgiu a oferta de carne de burro, comercializada por cerca de 7,5 mil pesos o quilo (aproximadamente R$ 37,50), valor significativamente inferior ao da carne bovina.

Irã classifica nova ameaça de sanções dos EUA: “Terrorismo econômico”

O Ministério das Relações Exteriores do Irã criticou a possibilidade de novas sanções por parte dos Estados Unidos (EUA), classificando a medida como “terrorismo econômico”. A reação veio após declarações do secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que indicou que Washington pode ampliar as restrições contra Teerã. Segundo o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, essas ações equivalem a práticas de extorsão estatal e, pelos seus efeitos acumulados, poderiam até ser consideradas crimes contra a humanidade. A declaração foi publicada nesta quinta-feira (16/4) na rede social X. “São nada menos que terrorismo econômico e extorsão patrocinada pelo Estado – ações que constituem crimes contra a humanidade e, no seu efeito cumulativo, constituem genocídio”, disse o porta-voz do ministério, Esmaeil Baghaei. Para o governo iraniano, a intensificação das sanções representa uma forma de pressão econômica extrema, com impactos diretos sobre a população. Do lado americano, o alerta foi feito durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, na quarta-feira (15/4). A proposta inclui a adoção de sanções secundárias, que não atingiriam apenas o Irã, mas também empresas, embarcações e até países envolvidos na comercialização de petróleo e gás iranianos.

Governo quer R$ 10 bilhões em gastos fora da meta das estatais em 2027

O governo federal prevê cerca de R$ 10 bilhões em despesas fora da meta fiscal das estatais no orçamento de 2027, segundo o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), divulgado nesta quarta-feira (15/4). Isso quer dizer que o valor não será contabilizado no cálculo do resultado primário, funcionando como um colchão para eventuais necessidades de capitalização ou apoio financeiro a empresas públicas. A medida ocorre em meio ao esforço da equipe econômica para cumprir a meta de superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no período, ao mesmo tempo em que mantém alguma flexibilidade para lidar com riscos fiscais. A retirada desses gastos da meta permite ao governo realizar aportes em estatais sem comprometer diretamente o cumprimento do resultado fiscal. Esse tipo de mecanismo já vem sendo utilizado em anos anteriores como forma preventiva, criando espaço para socorrer empresas em dificuldade sem pressionar ainda mais as contas públicas. Isso pode incluir desde reestruturações financeiras até garantias e aportes em companhias que enfrentem problemas de caixa ou necessidade de investimento. As empresas estatais representam um ponto de atenção para a política fiscal, especialmente aquelas que operam com dificuldades financeiras. Casos como o dos Correios, por exemplo, que já estiveram no centro do debate sobre a necessidade de aportes públicos condicionados a planos de reestruturação. A estatal recebeu aporte do governo para enfrentar a crise financeira que tem vivenciado desde o final de 2024. A previsão de uma margem fora da meta indica que o governo espera possíveis pressões vindas desse segmento nos próximos anos.

Bolsa renova recorde pela 18ª vez no ano e se aproxima dos 200 mil pontos

O mercado financeiro brasileiro voltou a registrar desempenho positivo nesta terça-feira, 14. A bolsa de valores atingiu novo recorde histórico e encerrou o dia próxima da marca de 200 mil pontos, enquanto o dólar permaneceu abaixo de R$ 5. O movimento foi favorecido pela melhora do cenário internacional e pela expectativa de retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã. O Ibovespa, principal índice acionário do país, fechou em alta de 0,33%, aos 198.657,33 pontos. Na máxima do pregão, alcançou 199.354,81 pontos, aproximando-se do nível simbólico dos 200 mil pontos. Com o resultado, o índice acumula valorização de 0,68% na semana, 5,97% no mês e 23,29% em 2026. A sessão marcou a 11ª alta consecutiva do indicador e o quinto recorde seguido. Ao longo deste ano, a bolsa brasileira já renovou suas máximas em 18 oportunidades, consolidando um período de forte valorização dos ativos domésticos. No mercado cambial, a moeda norte-americana voltou a recuar e encerrou cotada a R$ 4,993. Foi o quinto pregão seguido de queda. Em abril, o dólar já acumula baixa de 3,57%, enquanto no ano a desvalorização chega a 9,02%. Durante o dia, a cotação chegou a tocar R$ 4,97, mas reduziu o ritmo de queda ao longo da sessão. Entre os fatores que influenciaram o câmbio estão a diminuição das tensões geopolíticas, o enfraquecimento global do dólar e indicadores econômicos mais fracos nos Estados Unidos, o que reforçou apostas de futuros cortes de juros pelo Federal Reserve, o banco central norte-americano. No exterior, os preços do petróleo recuaram com força diante da possibilidade de avanço nas negociações entre Washington e Teerã. O barril do Brent caiu 4,6%, negociado a US$ 94,79, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, recuou 7,9%, para US$ 91,28. A baixa contribui para aliviar pressões inflacionárias globais e tende a beneficiar mercados emergentes, como o brasileiro.

Apostas on-line são vistas como problema por 71,9% dos brasileiros

O levantamento divulgado nesta terça-feira (14/4) pelo CNT de Opinião mostra que 71,9% dos entrevistados consideram as chamadas “bets” um grande problema no país, em meio ao avanço dessas plataformas e seus efeitos no cotidiano. Os dados indicam que a prática é associada principalmente a riscos sociais e financeiros. Para 37,6% dos entrevistados, as apostas configuram um vício. Outros 18,8% apontam o endividamento como principal consequência, enquanto 11,6% relacionam diretamente a atividade a impactos na saúde mental. Apesar da popularização das plataformas, metade da população (50,4%) afirma não participar de apostas on-line. Por outro lado, 31,7% dizem ter alguém próximo que aposta com frequência, e 11,3% admitem que fazem apostas. A pesquisa também revela divisão sobre como o tema deve ser tratado no país. Para 38% dos entrevistados, as apostas deveriam ser proibidas no Brasil. Já 22% defendem maior fiscalização sobre a atividade, indicando pressão por algum tipo de controle mais rigoroso.

Brasil já tem mais cartões de crédito ativos do que habitantes

Segundo dados do Banco Central (BC), mais de 37 milhões de brasileiros passaram a ter acesso ao cartão de crédito nos últimos anos. Em 2024, o número saltou para mais de 500 milhões de cartões emitidos, sendo 220 milhões ativos — o que significa que o país passou a ter mais cartões em funcionamento do que habitantes. Além disso, o aumento no uso do cartão de crédito pelos brasileiros também se reflete no crescimento do volume de recursos transacionados pelo meio de pagamento. Os volumes atingiram R$ 729 bilhões no último trimestre de 2024, mais que o dobro do valor do final de 2020, aponta o Relatório de Cidadania Financeira 2025, divulgado nesta segunda-feira (13/4). Apesar disso, o BC ressalta que é preciso ter atenção com o crescimento do número de pessoas que passaram a usar as modalidades que geram dívida com juros no cartão, como o crédito rotativo e o parcelamento de faturas. Dos 96,6 milhões de usuários ativos em 2024, mais da metade, cerca de 52,8 milhões de brasileiros, apresentaram dívidas com juros no cartão de crédito. “O peso dos gastos com cartão de crédito no orçamento aumentou de maneira significativa. O brasileiro usuário do cartão de crédito em 2020 comprometia, em média, 38,5% de sua renda com gastos neste instrumento; em 2024, esse comprometimento chegou a 54% da renda”, afirma o relatório.

Com ganhos acima da média, corretagem imobiliária se consolida como carreira lucrativa

O mercado imobiliário deixou de ser visto como uma alternativa secundária e hoje desponta entre as carreiras mais lucrativas do país. A profissão de corretor de imóveis, antes subestimada, já rivaliza, e em muitos casos supera, os ganhos de áreas tradicionais como medicina, advocacia e engenharia. Durante décadas, carreiras como medicina, advocacia e engenharia eram as mais disputadas nos vestibulares e vistas como sinônimo de estabilidade e bons rendimentos. Essa realidade, porém, está mudando. A corretagem imobiliária tornou-se exemplo de transformação, oferecendo autonomia, liberdade e possibilidade de construção de patrimônio, características raras em outras áreas. Uma pesquisa realizada pelo Cofeci-Creci em 2024 revelou que 19% dos corretores de imóveis estão entre os 5% mais ricos do Brasil, com rendimentos superiores a R$ 10 mil mensais. O valor é quase três vezes maior do que a média salarial nacional, que segundo o IBGE, foi de R$ 3.652 no trimestre encerrado em janeiro de 2026.

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